Thursday, 20 June 2024

Hábitos musicais

Estou escrevendo esse post parcialmente pra responder a Shana, que me perguntou sobre o last.fm!

Ultimamente eu ouço música quando estou dirigindo, já que não posso fazê-lo durante o trabalho. Também estou tentando resgatar o hábito de ouvir em casa - conectando a caixinha bluetooth no celular. E usar o last.fm é meu atestado de velha: O last.fm não é um site para ouvir música direto nele, ele foi elaborado - e basicamente funciona do mesmo jeitinho desde então - pra registrar automaticamente (scrobbling) as músicas que você ouve. Lá nos idos anos de 2007, você baixava um plugin pro Windows, que pegava todas as informações que rolavam no seu Windows Média Player e mandava pro seu perfil, e aí você podia ver quais foram seus artistas e faixas mais ouvidos, quantos artistas novos você conheceu, comparar seu gosto com o dos outros e obviamente receber recomendações.

Hoje em dia ainda faz sentido pra mim usar o last.fm porque eu não uso o Spotify. Pareço mais velha obsoleta falando isso, mas há sete ou oito anos foi uma decisão estratégica: eu tinha um iPod, e morava numa região onde o sinal de internet móvel na rodovia era uma bosta. Ia depender de streaming para ouvir música no ônibus lotado? Não, obrigada. Desde então, eu continuo baixando MP3 como uma neandertal, e organizando todos eles em pastinhas com informações de artista, faixa, álbum e ano, o que me faz saber de mais informações inúteis sobre artistas do que a media das pessoas com quem convivo.
Passei um tempo sincronizando minha biblioteca de músicas com o Google Music, que foi de arrasta, mas encontrei um bom substituto no iBroadcast, que funciona como uma nuvem (gratuita!!!!!) de músicas. Joguei tudo lá e faço streaming da minha própria biblioteca, embora meu iPod ainda funcione (meu tesourinho). Por muito tempo tive dificuldade de fazer streaming das faixas ouvidas no iPod pro last.fm, mas agora com o iBroadcast ficou muito mais fácil e eu fiquei viciada em ver minhas estatísticas de novo.

"Mas Emi, já que você está fazendo streaming, não era mais fácil usar o Spotify?" E ter que PAGAR por mais um serviço de streaming???? Eu, hein. Eu tenho um orgulhozinho de todas as minhas músicas organizadas manualmente, e muito apego às minhas trilhas sonoras pessoais. Não quero ficar dependendo da boa vontade do artista ou da gravadora de colocar a versão que eu gosto disponível pra ouvir. Como boa jovem dos anos 2000, ainda não concebi que na era do streaming eu só pago pelo direito de alugar o role. O lado ruim é que sempre fico excluída das retrospectivas de final de ano e também não consigo compartilhar minhas playlists com um clique, mas paciência.

EDIT:
Minha pasta de músicas é organizada inicialmente em 29 pastas: Uma pra cada letra do alfabeto, uma pra números (#), uma pra música clássica, uma pra álbuns de trilha sonora e uma pra músicas que não consegui categorizar (bagunça). Nas primeiras, faço uma pasta pra cada banda/cantor, e dentro delas faço uma pasta pra cada álbum, com nome e ano de lançamento - mesmo que as vezes dentro de cada álbum tenha uma música só. Na de música clássica, tento organizar por compositor; na de trilha sonora organizo direto por álbuns (é onde coloco músicas que estrearam em trilhas sonoras de novela, filmes, ou feitas para musicais); e na bagunça elas ficam lá esperando minha coragem de procurar informações.

Eu fico um pouco obcecada com organização nesse caso, então tento sempre achar as informações corretas sobre a música. Costumo procurar na Wikipédia ou no Discogs e no MusicBrainz, que tem informações sobre diferentes lançamentos de um mesmo álbum (tem discos que são lançados com capas diferentes em diferentes países, faixas bônus que aparecem em alguns releases e outros não, versões diferentes que são lançadas oficialmente em alguma coletânea obscura). Aí, uso o MP3tag pra editar os dados da música, se necessário (capa, nome do artista, nome do álbum, ano, faixa, título).
Por fim, a pirataria: procuro os mp3 no archive.org, via torrent, em blogs usando "fulano de tal discografia download" no google (em português, mesmo - Deus abençoe essas pessoas, sério), no 4shared e, em último caso, ripando do youtube.

Ah, me sigam no last.fm!!


Wednesday, 15 May 2024

Almanaque da Emi #13

Já falei mais ou menos a minha relação com abril: é o mês do meu aniversário, o que eu amo; mas parece que to sempre lidando com o atropelo das coisas que eu não fiz. Pra mim está visível que não estou 100% bem dos pinos, mas não vou elaborar no momento.
Pinei muitos gráficos de ponto cruz no Pinterest, mas não bordei nada, assim como não tirei fotos nem pratiquei pintura, e de modo geral produzi muito pouco. Mesmo tendo escrito sobre e pensado sobre a questão de quanto a internet atrapalha meu dia-a-dia, sinto que continuo dependente dela e não resolvi nada, o que me deixou meio borocoxô.

Lidos:

Peguei Videologias, sobre psicanálise e cultura de massa, li uns artigos, avancei umas páginas de A República das Milícias. Literatura? I don't know her.

Assistidos:

Vi O Problema dos 3 Corpos graças a Marido e não gostei. Vi Sharp Objects e não gostei do final. Vi episódios antigos de Sai de Baixo (ainda é maravilhosa). Dei uma maratonadinha gostosa em House (estou assistindo faz dez anos, ainda não terminei. Não me deem spoilers!!!!!!!!!!!!). Vi mais B99 que devia, terminei de ver Uma Advogada Extraordinária. E agora to ansiosíssima pra 3a temporada de Bridgerton!!!

Links:

esse site ita.toys - scans de revistas antigas sobre jogos - in defense of the poor image - essa loja de bolsas

Ouvidos:

Meu últimos 3 meses do lastfm agora está assim:

brits in music supremacy

Dei moral pro Elton John na Páscoa e lembrei como as músicas dele são gostosas. Segui ouvindo o cd azul do King Crimson e Olivia Rodrigues. Dei mais moral pra Sabrina Carpenter, The Who e baixei músicas novas dos Beatles, uma das quais virou minha favorita. Passei alguns dias fissurada em Daughter da Beyoncé. Ouvi o cd da loira e achei decepcionante. Dei moral pro meu mozão, Phil Collins. Ouvi minha playlist de sertanejo sofrência e agora tenho Israel e Rodolffo no meu lastfm.

Jogos:

Voltei a jogar um pouquinho de Stardew Valley, já que teve um update grande por esses dias, e até fiz uma fazenda nova pra jogar co-op com a Yuu. Minha relação com o Neopets ficou obcecada tão rapida e tão intensamente que baixei uma EXTENSÃO QUE BLOQUEIA SITES. Sério. Esse jogo desperta o pior em mim (queria um token de Lenny Pelúcia). 

Compras:

Comprei um curso de aquarela, prateleiras canaleta pra casa, uma quantidade obscena de remédios manipulados e folhas de fichário dos anos 2000 (rs).

Hitou:

Greg é cidadão brasileiro - O cd novo da loira - o cd country de Bionce - show da Madonna - tragédia no RS

Fica aqui o registro dessas últimas semanas. Bjs bjs e até a próxima!!




Tuesday, 23 April 2024

Feliz aniversário pra mim

O Emi's notes completa anos neste dia 22 e eu no dia 24 (:
Apesar de eu apreciar o mês de abril (porque gosto de inventar presepadas pra comemorar meu aniversário), parece que nunca consigo fazer muita coisa feliz nele, porque em geral estou lidando com o atropelo resultante da minha procrastinação crônica do começo do ano. Mas nesse tive alguns momentos bem gostosos!!!

O tempo esfriou e choveu bastantinho;
Fui visitar minha vó;
Fiz uma live na twitch depois de alguns meses;
Joguei um pouquinho de Stardew Valley e um pouquinho de The Sims;
Li um livro que eu queria muito.

Embora eu não tenha mudado nada ou quase nada na prática do meu consumo da internet (RS), os posts que escrevi e os comentários que li a respeito me fizeram pensar que o segredo (pra mim, pelo menos) é deixar o celular de lado em alguns momentos. Ou em algumas horas, melhor dizendo. Minha média de uso do celular por dia beira seis horas, e toda vez que eu vejo esse número eu me pergunto "COMO eu gastei tanto tempo aqui?" É um fucking quarto do meu dia.
Pois é. Em apps. Muitas vezes rolando a tela a esmo pra evitar minhas tarefas da vida real.

Duas derrotas: sigo sem ter dado uma pincelada de aquarela, infelizmente passarei essa celebração de aniversário sem nenhuma presepada especial.

Em termos musicais (esse post tá quase um almanaque), descobri uma música dos Beatles que eu gostei muitíssimo, dei bastante atenção pra Olivia Rodrigues e Sabrina Carpinteira e a banda no topo das minhas mais ouvidas nos últimos 90 dias segue sendo King Crimson. Não me perguntem minha opinião sobre o cd dos poetas mortos da loira pernuda, pois eu ainda não tenho uma (mas o last.fm diz que ela é minha artista mais ouvida no ultimo mês. De onde veio isso??????????).
Também passei mais ou menos uma semana dando muita moral pra minha playlist de sertanejo sofrência.

Também coloquei pilha na minha câmera compacta e fiz umas fotos aleatórias (que em algum momento eu pretendo incluir nesse post, mas não quero perder o timing da publicação agora, hehehehe)


Beijo beijo e até mais!! <3

Monday, 8 April 2024

Por que não consigo ficar offline?

Ficar offline, como dizia Uaba no post que me deu o disparo pra começar a escrever isso aqui, parece a solução ideal. Limpar minha cabeça das porcarias que recebo involuntariamente e voltar a ter tempo pra fazer como um jovem nos anos 90: ler livros, conhecer os livros nas livrarias, pisar na grama, tirar fotos e esperar uma semana pra ver o resultado, ligar pra conversar com uma pessoa de verdade, usar todos os papéis que eu guardo num junk journal analógico, escrever uma carta de uma página inteira, assistir os programas de tv que a tv escolhe ao invés de ser soterrada por mil opções de streaming. 

Mas eu não consigo.

tirei essa foto pra ilustrar o post, não gostei dela mas gostei das cores pós edição

Eu gosto da internet. Eu gosto do fato de que esse blog só existe por causa dela, que me permite manter um contato com vários outros donos de blogs legais. A internet me permite conhecer pessoas legais que moram bem longe de mim, e aprender coisas que de outro modo me custariam mais tempo, dinheiro ou nem seriam acessíveis. Eu não quero renunciar a isso.
Sou uma usuária crônica do Google pra resolver minha vida, a marca de ter crescido nos anos 2000-2010. Meu histórico atual revela que nas últimas horas eu precisei descobrir quem é Peridot do Steven Universe, tentei aprender como colocar múltiplos status no widget do status cafe, o contexto da piada "todo viado é surdo" (dúvida oriunda do artigo sobre o Casseta & Planeta na wikipedia), o que é uma Pop 100 e se o tuíte "é corna mas ela dirige o carro dele todos os dias" era um meme ou uma fala genuína de alguém (dúvida oriunda dos tuítes sobre o cd novo da Beyoncé). Se eu abandonar a internet, como responderei todas essas dúvidas? Ao mesmo tempo que me pergunto isso, percebo que todas essas dúvidas vieram do uso da internet. Detesto a ideia de não saber das coisas, e estar online me proporciona aprender um monte de coisa nova - mas expondo assim me parece que nem todas essas coisas são realmente importantes.

Também venho bater ponto aqui quando estou me sentindo criativa. Tenho a impressão que nunca fui criativa offline, se eu descontar algumas histórias bobas que escrevi antes dos onze anos de idade. Meus primeiros passos no mundinho expressão da minha cabeça foi escrevendo fanfics no fanfiction.net, e hoje eu escrevo num documento com salvamento na nuvem no Google Drive. Namorei a fotografia alheia no Flickr e no Weheartit antes de começar a compartilhar as minhas próprias imagens, e o YouTube é outro recurso que as vezes me coloca em contato com ótimos vídeos artísticos independentes. O próprio Blogger é uma plataforma a serviço da criatividade. Se eu quero aprender a desenhar ou pintar, procuro tutoriais. As poucas aulas de desenho e pintura que fiz foram online. O Domestika me oferece cursos. O Pinterest é uma revista gratuita infinita, cheia de coisas bonitas e com acesso fácil. A alternativa a isso era ir na banca de revistas (ainda existe isso?) e comprar uma revista que me ensinasse a pintar em tecido ou fazer bordado em fita, e ela parece tão limitada. Abrir mão disso parece até meio sacrílego. Outra situação relacionada é o acesso ~livre a mídias (livros e músicas, principalmente).

Por fim, cada vez mais tenho dependido da internet para ter relações sociais. Sempre fui meio tímida e esquisita, e meu forte nunca foi fazer amigos adoidado na vida real. Mantenho contato com meus amigos mais antigos pelo Whatsapp (não moramos mais na mesma cidade), e conheci pessoas muito preciosas nesse mundinho online que procuro manter por perto, mas como a interação cotidiana se dava na pracinha das redes sociais, eu inevitavelmente perco um pouco do contato quando decido priorizar minha cabeça ser rebelde e dar as costas pras redes. E eu realmente não curto ficar sozinha por longos períodos de tempo.

Pra concluir essa trilogia, sinto que o excesso de informação virtual faz mal pra minha cabeça, e que isso ocorre principalmente nesse contexto de redes sociais e sites/apps de comércio. A informação ali não tem tanto foco no conteúdo e sim em fazer a mensagem ser ouvida - mais é mais. Sinto minhas emoções manipuladas pra me fazer ir atrás de algo e isso exige que eu pare e pense por um segundo pra não gastar meu tempo com coisas que realmente não me servem.
Não quero me tornar a velha saudosista que acha que no tempo dela tudo era melhor, mas me sinto cada vez mais a vontade blogando à moda antiga. Faz um bom tempo que escrevi algo sobre a diferença entre produzir e consumir, sendo a última uma condição passiva, e quanto mais eu penso na internet, mais eu percebo que eu fico mal quando consumo muito e produzo pouco. Me forçar a produzir mais e consumir menos parece - ao menos em teoria - uma solução pra encontrar um equilíbrio saudável aqui.

PS: esse tuite de uns tempos atrás que eu acho que foi bem pertinente:


Monday, 1 April 2024

O que tem de tão ruim na internet?

Eu gosto do Twitter. É uma rede onde fiz muitos amigos, e possivelmente todas as pessoas de quem me aproximei na internet nos últimos anos foi pelo Twitter (exceção notável aos queridos que surgiram aqui para ler este blog). Mas essa porra de rede se tornou INSALUBRE após a compra pelo ceo dos foguetes lá. Já estava - eu só sobrevivia nela a base de block e silenciamento de palavras diversas desde 2018, mas piorou muito, o que foi surpreendente.
Aquele site é um hospício.

Me apetece MUITO a ideia de jogar meus pensamentos aleatoriamente em um site, e eu acho ainda mais interessante que eu consegui me conectar com pessoas por lá. O conceito do Twitter é perfeito, e acho que experimentei muito disso no começo da rede (eu usei em 2008-2010, e depois voltei em 2012): humor nonsense idiota, pessoas interagindo aleatoriamente, muitos famosos dando takes casuais como se fossem mortais como nós (parece que foi ontem que o William Bonner tava lá tuitando). Mas hoje, no meio dos anos 2020, essa internet moleque raiz com a qual eu cresci não existe mais.
Acho que com o tempo isso aqui virou um ambiente de negócios e lucro. Ao invés de compartilhar experiências genuínas, os influencers se tornaram garotos propaganda de toda a sorte de produtos e serviços. Parece que ao invés de produzir conteúdo de qualidade, o que passou a ter valor foi ter alcance e muitos seguidores. O que faz um certo sentido, porque se todo mundo está na internet, quem fala mais alto consegue influenciar mais gente. O problema é que eu não quero ser bombardeada por propaganda o tempo todo. Eu quero gastar meu tempo aqui encontrando as tais experiências genuínas, pessoas falando sobre coisas que provaram e o que acharam de verdade, sem manchetes clickbait ou uma construção de conteúdo que segue uma fórmula pré aprovada por um algoritmo. Ver fotos que alguém tirou porque gostou do que viu, não porque estava seguindo uma moda ou querendo provar algo. Eu não quero saber de trend. É pedir demais???????

Acho que o Twitter (e boa parte das redes sociais, se vocês forem ler os comentários) viraram um hospício por causa disso: as pessoas não estão mais falando de um jeito normal, e sim numa gramática pra disputar atenção a qualquer custo. As manchetes são absurdas e querem me capturar no golpe mais baixo possível, apelando pra emoções primitivas. Eu estou cansada de me preocupar com a estética de qualquer coisa que eu posto e que nunca parece atingir a linguagem visual de quem tem algum treinamento no assunto e hita na internet. Também estou cansada de ter minha atenção e emoções desviadas pra coisas que em 90% do tempo não agregam 01 unidade de coisa na minha vida, quando não me deixam pior (irritada, triste, mal humorada, desesperançosa). Eu não quero saber que o Davi do BBB está sendo perseguido, que a Beyoncé é corna, que Taylor Swift fez sei lá o que com sei lá quem. Sinto que essas coisas mexem com as minhas emoções mas me distraem de fazer o que eu realmente queria, que era aprender arte, ler livros, ouvir músicas, ver filmes e trocar figurinhas com pessoas legais sobre o que estamos vivendo.
E é tão fácil me distrair disso. Já passei tantas horas vendo vídeos satisfatórios de cozinha no Buzzfeed Tasty ou vídeos de slime e gente cortando sabonete, coisas que não agregam em NADA meus pensamentos mas me proporcionam aquela satisfaçãozinha gostosa de ver as coisas magicamente indo parar em seus lugares. É a mesma coisa que me impulsiona pro vício dos joguinhos mobile.
Acho que eu conheci a internet quando ela era uma grande praça, uma feira livre onde rolava escambo, e hoje ela é um shopping cheio de lojas querendo que eu entre a qualquer custo pra dar uma olhadinha em uma seleção de coisas misteriosas que em geral custam mais do que o valor que entregam. E eu ainda estou tentando entender por que tudo é tão artificial e desagradável às vezes.

(Tenho mais um post planejado sobre isso, bear with me. Beijo beijo e até ♥️)

Thursday, 14 March 2024

Lixão digital

A minha bio do instagram atualmente é "entusiasta de fotografia, banda de rock e de falar mal de rede social". De fotografia e banda de rock eu já falei nesse blog, tava faltando falar mal de rede social. Até que demorou bastante, mesmo eu tendo ensaiado outras vezes dar meus dois centavos sobre o assunto.


Esse post da Uaba me inspirou muitissimo quando li. Eu também queria ficar desonline, mas não consigo. O mais perto que cheguei disso foi quando, na pandemia, passei uma semana sem redes sociais e recebi a iluminação divina: ninguém me enchia o saco. Eu tive clareza de pensamento, liberta de qualquer que fosse o clamor caótico do Twitter no momento. Percebi que postar stories sobre mim e a minha vida era um exercício tosco e narcisista que não agregava nada pra ninguém e ninguém estava interessado - não mais do que eu estava interessada em selfies ou fotos de comida alheias. Ou nos memes repetidos. Ou nos stories revoltados buscando conscientizar as pessoas de uma causa - esses eram os piores, porque ninguém me convertia a nada (era 2020, mind you. Estávamos vivendo um apocalipse). Eu só virava os olhos quando a pessoa não tinha minha opinião, e me sentia mais inflamada a reclamar se a pauta era sensível a mim, mas a reclamação efetivamente não fazia nenhuma diferença porque ficava restrita à bolha da internet. Basicamente, eu gastava muito tempo e energia tentando fazer a minha vida normalzona parecer misteriosa, descolada e boa o bastante pra gerar engajamento - mas nada disso me trazia novas amizades ou pagava minhas contas. 

Depois disso fiquei sem o Instagram e passei um tempão sem Twitter. Aí fiz um outro Instagram, onde resolvi fazer tudo diferente: seguir só pessoas com quem eu não tenho vínculo emocional (pra ter menos chance de sofrer me comparando com elas), parar de seguir contas de marcas e lojas (pra receber menos anúncio e sofrer pelas coisas que eu não tenho), seguir no máximo cem pessoas (pra não me intoxicar constantemente com lixo). Acabou virando uma conta pra seguir gente que gosta de papelaria e aquarela. Se eu não te sigo ou parei de te seguir, não é nada pessoal: eu provavelmente gosto de você, e tenho interesse em partes da sua vida, mas quero controlar quando e quanto dela eu quero saber, porque tudo o que eu vejo acaba ocupando espaço na minha cabeça e se repetindo de algum modo. Às vezes, me causando bastante ansiedade. Minha conduta padrão pós-2020 é me manter ignorante do máximo de informação que eu puder, pelo bem da minha já saracoteada saúde mental - não é muito inteligente ou algo que me dá orgulho, mas tem funcionado. E devo dizer que 90% das informações que eu perco são realmente inúteis ou são coisas das quais eu tenho pouco a contribuir.

Exemplo prático: Conflito armado Israel x Palestina. Sim, sei que está acontecendo, embora eu não esteja por dentro dele neste momento. Sim, eu obviamente tenho opiniões. Obviamente estou chocada. Eu tenho algum conhecimento de política internacional pra embasar minhas opiniões? Eu tenho condições de iluminar alguém desinformado que venha a ler minha opinião? Não, então simplesmente não abri a boca sobre o assunto. Enquanto isso tem gente retuitando vídeo de gente explodindo e sangrando até a morte como se não fazer isso fosse estar pactuado com os assassinos. Mas eu já fui essa pessoa, a que pensa "os outros precisam saber disso". E não precisam não. A internet virou um grande lixão digital, cada vez mais abarrotado de sensacionalismo que informa menos e procura viralizar mais, e cada vez mais o "os outros precisam saber disso" vira "os outros precisam ver que eu me importo com isso". Faz algum sentido? Talvez aqui eu já esteja viajando na maionese. Acho que a ideia de lixão digital é justamente por ter tanta microinformação disponível sobre tanta gente, tanta coisa, que absolutamente não tem a menor relevância na minha vida e mesmo assim fica lá acumulando pó num canto do meu cérebro.

Mas eu ainda não consegui ficar offline. Vou voltar aqui e escrever mais sobre o assunto em outra hora.


Monday, 11 March 2024

Almanaque da Emi #12

Eitaaaaa que o mês de março me atropelou.
Eu sei muito bem que o início do ano é uma construção totalmente arbitrária mas eu detesto os efeitos psicológicos que esse arranjo provoca em mim. Fico procrastinando os primeiros quinze dias de janeiro depois mais uns dias em fevereiro, e sempre tenho que pegar no tranco à força em março, quando já não há mais desculpas de um feriado no meio do mês pra flexibilizar os prazos.

A Bruna deixou um comentário nesse post aqui e eu fiquei pensando bastante no que ela disse sobre "treinar o olhar pra ver beleza no cotidiano" como forma de criar conteúdo visual (gente, desculpem não responder todos os comentários sempre, eu leio todos mas as vezes eu não tenho energia pra responder mas eu agradeço e aprecio todas as discussões que vocês trazem aqui!!). É cem por cento verdade, e realmente eu perdi o jeito pra fazer isso. Uma hora eu queria escrever um post sobre o assunto, de preferência junto com algum conteúdo visualmente bonito hahahahaha.
Mais dois highlights desse início de ano: comecei a fazer pilates e superei meu medo de dirigir na cidade grande sozinha.

Lidos:

Nada, pura e simplesmente. Peguei minha edição bonita de Crime e Castigo pra ler mas só avancei algumas páginas, me interessei por vários títulos e ficou por isso mesmo. Mentira: voltei a ler webtoon nos últimos meses e consumi a MARAVILHOSA Marry My Husband (que virou série no prime, o SABOR DA VINGANÇA) e Miss Abbott and the Doctor, que começa bem fofinha mas do meio pro final começa a ser repetitiva. Foi isso.

Assistidos:

Vi vários episódios de Brooklyn 99 como série de fundo (que delícia, como ela é uma ótima série pra você ver como ruído de fundo!!!) e PIREI na série Vale O Escrito da Globoplay, que é sobre crise sucessória no universo jogo do bicho carioca. Eu, como pessoa da roça cujo entendimento sobre o Rio se baseou em produções romanescas da Globo, não estava preparada pro Kinder Ovo de crime que é essa história. Milícia? Carnaval? Futebol? Máquina de caça níquel? O Rio de Janeiro não é pra amadores.
Por fim, marido me levou no cinema pra ver Dune parte 2 com ele (eu não vi a parte 1). Não me agarrei com a história, mas o filme é bom.

Links:

Só tenho artigos acadêmicos abertos no meu navegador e pouparei vocês (basicamente isso explica porque não li nada).

Ouvidos:

Meu últimos 3 meses do lastfm agora está assim:




King Crimson e Led Zeppelin trocando de lugar, do mesmo jeito que Olivia Rodrigues e Taylor Swift, um reflexo do meu vício no álbum Beat (Deus abençoe bandas que lançam discos consistentemente parecidos com os anteriores pra gente curar a ressaca de um material com outro que é basicamente o mesmo) e a descoberta das faixas ocultas do Guts. Olivinha está alimentando a adolescente de 16 anos que ainda vive em mim, e me atormenta com insegurança crônica, raiva e ansiedade social - é gostoso demais não sentir essas coisas sozinha. A loira pernuda vai lançar um cd em abril e eu não sei o que esperar.
No mais, Sabrina Carpinteira voltou a ser alvo da minha atenção (esse cd dela é realmente bom) e destaque pra minha antiga BANDINHA FAVORITA DE TODOS OS TEMPOS, SIXPENCE NONE THE RICHER!!!! Fui informada pela Yuu que eles estão planejando um comeback e eu só sei GRITAR.

Jogos:

VOLTEI A JOGAR NEOPETS. Isso é péssimo, porque esse jogo sempre me deixou ansiosa, descaralhada da cabeça e consumiu muito tempo meu, mas fiquei feliz de ter conseguido mais dois avatares :') e pets UC que eu sempre quis :'). Em janeiro e fevereiro eu tava usando o The Sims como meio de contar histórias e isso consumiu muito o meu tempo também. Foi legal enquanto durou e sinceramente quero voltar pra isso assim que puder. Em paralelo, meu interesse no Love Nikki vem caindo (fico meio chateada pq esse jogo foi minha companhia constante desde a pandemia, mas all things must pass etc). Eu detesto o fato de perder tanto tempo com jogos, mas ¯\_(ツ)_/¯¯\_(ツ)_/¯¯\_(ツ)_/¯

Hitou:

BBB - Oscar - Grammys - cd novo da Ariana Grande - RIP Akira Toriyama - Kate Middleton desaparecida


É isso, gente, bjo bjo e até!!