Thursday 8 February 2024

Life updates

Minha diretriz pra esse estabelecimento é falar mais das coisas que eu faço, menos das que eu sinto. Mas esse também é, de certa forma, um diário, de modo que talvez não esteja muito fora de lugar desabafar.


Estamos na sexta semana do ano. Já são aproximadamente quarenta dias. Sinto que passei todo esse tempo meio sorumbática, com um nada de energia para queimar com atividades externas. Ando vivendo na minha própria cabeça e procrastinando desesperadamente quase tudo o que eu tenho pra fazer. A única coisa que produzi foram algumas ceninhas de uma história que eu escrevo (e que provavelmente nunca verá a luz do dia, tenho vergonha demais). E por mais que isso seja legal, eu preciso sair da minha cabeça e fazer coisas úteis do trabalho, mas estou empurrando tudo com a barriga.

Nesses dias, eu:
Comecei um diário;
Comecei um planner 2024;
Não tirei nenhuma unidade de foto (além dessa da caneca do Yoshi, que eu nem lembrava);
Escrevi esse rolê ai;
Maratonei a série Vale o Escrito do Globoplay (sobre jogo do bicho) e fiquei obcecada no universo da contravenção;
Voltei a trabalhar, mas me sentindo um peixe fora d'água;
Voltei a jogar Neopets (KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK);
Comprei vários cosméticos da Brisa no Ar (são tantos que eu até devia fazer uma review);
Fiz coalhada seca em casa e ficou maravilhoso;
Marquei médico, fui no médico, fiz exames, aparentemente está tudo bem;
Estou obcecada ouvindo o disco Beat do King Crimson (um presente divino diante da minha ressaca do Discipline).

meus ouvidos do trimestre agora estão assim

Planos pro carnaval: como vocês não são do meu círculo social profissional, posso admitir que queria passar os 4 dias enchendo a cara, mas provavelmente ficarei em casa sozinha, tentando correr atrás do atraso das tarefas e vendo os quatro dias de desfile na globo (faz muito tempo que eu não faço isso, costumava fazer quando era criança).

Acho que fico angustiada de ver que tenho muitos recursos (tenho materiais artísticos! tenho tempo!) e ainda assim uma espécie de bloqueio mental irracional se instala. Quero o controle da minha vida de volta.

Beijo beijo e até mais :* <3

Wednesday 31 January 2024

Teste projetivo do solo de guitarra

Esse post começou como a ideia de fazer uma lista dos meus solos de guitarra favoritos - desculpem, é o meu jeitinho - e acabou com uma reflexão meio pessoal de como eu acho que eles se relacionam comigo e que lugar ocupariam na minha vida. Acho que a interpretação não faz muito sentido pra outras pessoas (por isso estou chamando de teste projetivo), mas me deixem arrumar desculpas pra exaltar as músicas que eu gosto!! Não sei tocar um caralho de instrumentos musicais, mas na próxima vida eu quero vir sabendo tocar guitarra elétrica. Como pode um instrumento fazer sons tão bonitos, sabe???

post dedicado especialmente à minha amiga Thay

Quem sou eu: Lady Writer, Dire Straits, 1979


Despretensiosa, sem grandes ambições mas capaz de emocionar, filha do Mark Knopfler.

O meu parceiro (romântico) ideal: Dazed and Confused, Led Zeppelin, 1969


Assim como eu me casaria com um pedaço de queijo parmigiano-reggiano, eu me casaria com esse solo de guitarra. In a word: daring.

Experiência transcedental: Achilles Last Stand, Led Zeppelin, 1976

Acho que eu nem tenho palavras pra falar de Achilles Last Stand e é por isso mesmo que essa música está caracterizada como experiência transcedental/espiritual/religiosa (assim todo toda a minha relação com essa banda, eu to lá de boa e de repente INSTRUMENTOS MUSICAIS CONVERSANDO COM A MINHA ALMA. horrível ser fã de grupos que acabaram antes de você nascer)

Experiência de paz: Marooned, Pink Floyd, 1994

David Gilmour e acompanhamento de piano, hehehehehehheeeeeeeeeeeeeeeeee I rest my case.

Parceiro não-romântico ideal: Foreplay/Long Time, Boston, 1976

Divertido, interessante, progressivo mas principalmente consistente.

Figura materna: Free Bird, Lynyrd Skynyrd, 1973

Incansável, lendária e upbeat. Essa música é mais poderosa do que boazinha, e por isso é uma boa aproximação da minha mãe.

Figura paterna: Hotel California, Eagles, 1976



Esse solo me emociona e faz eu me sentir, de alguma forma (é um teste projetivo, não perguntem), segura. 

Longing: Crush, Dave Matthews e Tim Reynolds ao vivo, 2009

Esse solo nessa versão específica dessa música nunca falha em mexer comigo, porque ele é tão intenso e progride de uma forma tão bonita. Talvez essa versão de Crush seja equivalente ao querer insistente que sempre volta pra sua vida ao pensar naquela paquera encantadora que você nunca consegue superar (e como eu estou fazendo escolhas monogâmicas nesse teste, não poderia me casar com ele pois Dazed and Confused, etc.)

Menções honrosas que eu não classifiquei, mas ainda assim acho dignas de aparecer aqui:

Comfortably Numb, Pink Floyd, 1979

DAVID GILMOOOOOOOOOOOOURRRRRRRRRRRRRRRRRRR!!!!! Se não fosse Achilles Last Stand, a minha experiência transcedental seria esse aqui.

Bohemian Rhapsody, Queen, 1975

Fun fact sobre mim: tenho uma foto do meu casamento com uma das minhas melhores amigas na qual ambas estamos tocando air guitar em full mode Brian May e esse deve ser um dos melhores retratos que terei na vida.

Sugestões pra essa lista são sempre bem vindas. Bjo bjo até mais!! <3


Tuesday 16 January 2024

Videogracinhas

Faz muito, muito tempo que eu falo pra mim mesma que vou produzir algum tipo de conteúdo em vídeo, mas - adivinha só - nunca faço nada.
Obviamente, quando eu falo de conteúdo - é possível que vocês já me conheçam a esse ponto - não estou falando de reproduzir trend do tiktik, alimentar a internet com bait ou gravar nada conversando com a câmera. Minhas ideias sempre giram em torno de registros do cotidiano editados de forma mais ou menos poética, variando desde monthly vlogs compilando as cenas do período até montagens mais ~cinemáticas com algum tipo de roteiro em mente. Nessa última categoria, considero os videos da lifeofriza um dos maiores expoentes atuais - eles são breves, simples e lindos, a ponto de ela parecer uma protagonista de filme. Muita gente fez e faz daily vlogs ainda, graças a Deus, e eu sempre gostei muito da proposta do document your life.

Os poucos vídeos que eu efetivamente editei e pus no mundo (em modo não listado no Youtube) estão em três categorias: os primeiros eram stop-motions de todas as fotos que eu tirava a cada mês em 2013 (ano que fiz um projeto 365 dias de fotografia); depois fiz dois vlogs de viagem; e por fim em 2018 tentei fazer um veda (que me rendeu doze vídeos). São experimentos que eu gosto de rever, eles me trazem uma nostalgia gostosa das músicas que eu ouvia, os lugares que eu passava, a decoração antiga do meu quarto.
Mas eles também são muito ruins, hehe.

Tanta gente filma coisa e lança na internet que isso me dá a impressão de que é fácil fazer a mesma coisa, mas não é. Quando eu revejo as coisas que eu fiz, percebo que tenho muita dificuldade em encaixar o movimento num enquadramento (seja em pensar numa transição de cena que funcione, ou de pensar em diferentes planos), de editar (tenho dó de cortar as coisas, depois o vídeo fica longuíssimo e tedioso), de selecionar uma boa trilha sonora e fazer os takes conversarem com ela (eu realmente considero a música um negócio game-changer), de pensar com imagens em um tipo de roteiro (visualizando como eu quero que as coisas fiquem no final). Não é tão difícil visualizar uma foto na minha cabeça, mas uma foto é um frame congelado e um vídeo é infinitas vezes mais complexo, pensando assim.
Às vezes acho que eu tenho dificuldade até mesmo de filmar - eu esqueço, mexo demais a câmera, faço vídeos curtos demais, e mesmo quando tenho a intenção de fazer algo acabo desistindo.

A Lana comentou esses dias em um post sobre o desejo de fazer mais vídeos para registrar a vida, e a Bru tem vários vídeos do document your life também, que eu adorei ver. Também volta e meia eu volto pra ver os vídeos da Ba, minha primeira referência nesses videos hehehe. Enquanto eu não aprendo as skills pra fazer bons registros em vídeo (me ensinem, eu imploro), espero que esse post sirva pra congregar mais gente que gosta e se interessa por esse tipo de registro documental da vida :)

beijo beijo e até mais!!

Saturday 6 January 2024

6 on 6: Japão e o curso de fotografia do Dan Rubin

Na segunda parte da minha jornada até Tóquio, assisti um curso de fotografia para viagens que tinha disponível no serviço de entretenimento de bordo - talvez uma das coisas mais úteis já colocadas num serviço de entretenimento de bordo. O autor (que até então eu não conhecia) falou um pouco sobre as próprias viagens e sugeriu que os alunos procurassem cinco tipos de cliques na viagem: uma visão de cima (bird's eye), expressões da vida local (signs of life), perspectivas fora da rota turística (off the beaten path), movimento em linhas convergentes (middle of the road) e um olhar diferente pra algum ponto turístico obrigatório (postcard).

Achei as lições muito interessantes e do jeito que eu gosto: orientações práticas, com exemplos e espaço pra pensar como eu poderia fazer algo parecido. A coisa que esse curso mais me fez pensar foi no "elemento humano" dentro da fotografia: normalmente eu sempre queria tirar uma foto bem enquadrada e  frontal do ponto turístico famoso, mas que quando eu chegava em casa não me dizia muita coisa e me dava a sensação de que tinha fotos muito melhores na Wikipédia. É muito difícil tirar fotos sem pessoas ao fundo quando você está num monte de rolê de turista, e essa viagem foi a primeira na qual eu tentei abraçar o vuco vuco de gente na frente como parte da paisagem que eu estava observando. 

signs of life: passei vinte minutos tirando foto dessa árvore impossivelmente vermelha, e numa delas peguei essa transeunte no fundo. não sei se gostei muito dela, mas acho que ficou mais interessante que se ela não estivesse ali (eu achei MUITO dificil sair clicando pessoas aleatórias como parte da composição. e se elas não gostarem???? como fazer pra ser stealth? Meu Deus, fotografar não é assim tão fácil como parece)


postcard: dessa aqui eu gostei bastante: é o templo dourado (kinkaku-ji) refletido no lago e essa carpa quase enquadrada no meio dele. também tirei fotos do templo dourado, mas tem algumas melhores no google kkkkkk

postcard número dois: rainbow bridge adornada pelos fogos em odaiba. achei que as fotos iam ficar horrorosas porque eu estava sem tripé e sentada num lugar aleatório, mas acabei gostando bastante (: como tirei essas fotos no dia antes de ir embora, elas me deixam nostálgica.

off the beaten path: eu não saí me aventurando muito com a câmera na mão, e essa foto não foi tão fora da rota, mas no meu caminho pra ver a torre de tóquio entrei nesse santuáriozinho de estátuas que tinham a intenção de evocar proteção pras crianças. passei por várias e desse ponto em diante não podia avançar, e ainda tinham muitas, muitas - isso me impressionou.

bird's eye: eu também não tirei muitas fotos de cima, mas essa foi do observatório do prédio do governo metropolitano de tóquio. haja prédio e haja gente nessa cidade

middle of the road: achei que essa ia ser a categoria deixada de lado (invejo muito quem consegue tirar fotos do meio da estrada, eu morro de medo de ser atropelada, me perder no timing e o sinal abrir, etc), mas passando por bequinhos e ruazinhas no japão, eu tive algumas oportunidades. essa aqui, que enquadrei esse transeunte de costas bem no meio do caminho pro templo senso-ji ficou, modéstia à parte, super legal)

E esse foi o Japão drops do dia!!

Pra ver as primeiras fotos do ano, o 6 on 6 continua: Amanda (Cardamomo) - Arantxa (Arantchans) - Liz (Liz Sales) - Nat (Nasetet) - Vanessa (Tristezinhas Cotidianas) <3

 bjo bjo e até mais!

Thursday 14 December 2023

日本!!!

Uma atualização rápida e sem muitas informações (como a blogueira de viagem flopada que eu sou) pra informar aos leitores deste estabelecimento que estou meio sumida porque estou no Japão, hehehehehehhehehe (:

Espero trazer um post mais turístico assim que eu conseguir sentar e escrever (volto no final do mês). Enquanto isso, seguem seis cenas aleatórias daqui do Japão pra compensar o post do 6 on 6 desse mês que passou batidaço (desculpem, meninas!!):






bjo bjo até mais!

Wednesday 29 November 2023

Emi's Notes Comenta: Taylor Swift no Brasil

ou: ser fã é um evento muito estressante
ou também: o carnaval das patricinhas
ou ainda: mulher feia, triste e fã de prog rock inventa de pegar três ônibus pra ver uma loira pernuda no rio de janeiro e dá tudo errado

Comentei meio de passagem por aqui, mas em junho desse ano consegui comprar um afamadíssimo ingresso pra um dos shows da turnê atual da Taylor Swift, a The Eras Tour, no Brasil. A mulher viria fazer três shows no RJ (17, 18 e 19/11) e três em SP (24, 25 e 26/11), trazendo sua presença pra essas terras depois de 12 anos. Eu tinha um ingresso devolvido da finada Lover Fest dela que foi cancelada pela pandemia, e embora estivesse meio assim de gastar os tubos num show num momento que eu não estava nadando em dinheiro, também nunca tinha tido a experiência de ir num show internacional e minhas amigas estavam empolgadíssimas, então decidi ir. Com quatro álbuns inéditos e duas regravações lançadas que ela não teve oportunidade de sair em turnê, a gata decidiu simplesmente fazer uma turnê chamada The Eras na qual ela reviveu músicas de TODOS os álbuns MENOS O DEBUT, num espetáculo audiovisual de três horas com looks bafônicos, coreografias massa e muitos efeitos no palco, além de tocar toda noite duas músicas surpresa pra plateia dentre todas as que não estavam na setlist fixa e que ainda não tinham sido tocadas (as surprise songs). Um prato cheíssimo pra qualquer fã.

Mas antes, contexto. Entre julho e novembro de 2023, eu:

  • Ouvi todas as músicas da setlist do show que eu não conhecia, e comecei a garrar um amor nos álbuns Folklore e Evermore;
  • Falei mal da ideia de comprar miçanga pra fazer pulseira, comprei miçanga, fiz pulseira e adorei (só não comprei mais pq há limites);
  • Gastei 700 reais em passagens de ônibus pro Ridijanero (pois infelizmente não senti nem o cheiro dos ingressos pra SP);
  • Pensei em looks elaboradíssimos pro show e depois desisti;
  • Entrei em um grupo de whatsapp pra quem ia no show do Rio e foi certamente uma experiência antropológica conviver com fãs tão de perto por tantos dias HORRÍVEL;
  • Surtei por motivos pessoais ao som das mais tristes do Folklore e do Evermore;
  • Surtei por motivos pessoais berrando All Too Well 10-minute-version no carro;
  • Cansei de surtar ao som de Taylor Swift e parei de ouvir ela, mas não sem antes descobrir que Cruel Summer é boa mesmo e ouvir por 40x seguidas;

Enquanto isso, no mundo:

Swiftie lore: a primeira vez que a Taylor veio pro Brasil (divulgando o Red, em 2012) ela foi na Ana Maria Braga e ganhou UM LOURO JOSÉ.
 

Uma semana antes de vir pro Brasil ela estava fazendo show na Argentina, mas ao invés de dar uma passeada no parque das Cataratas e fazer umas comprinhas no Paraguai antes de vir pro Brasil, ela catou o jatinho dela e vazou pros EUA pra pisar aqui 4 dias depois.
O primeiro show dela no Brasil teve:

  • Calor do caralho;
  • Ela parando o show pra distribuir água pra galera;
  • Uma fã falecendo no meio do show (guardem essa informação) (eu vou discorrer sobre isso depois).

Quando o show do dia 17 acabou eu estava na metade da minha jornada pro Rio, em algum lugar depois do meu checkpoint na rodoviária da Barra Funda em São Paulo, e recebi a notícia do falecimento da menina. Daí pra frente, meusa migo, foi só pra trás.

Cheguei no Rio de Janeiro dia 18, 6:15 da manhã, pra encontrar:

  • Banheiro público acessível mediante três reais que não tinha papel higiênico
  • A rodoviária infestada de swifties;
  • Suor as 7 da manhã;
  • Problemas externos que impossibilitaram um encontrinho chique das minhas amigas antes do almoço (duas das quais que iriam no show do dia 18, dali a algumas horas);
  • Uber beirando os 60 reais;
  • Notícias de que o show começaria uma hora mais cedo, provavelmente por causa do calor;
  • Um hotel infestado de swifties mineiras, muitas das quais menores de idade e que estavam acompanhadas das mães, se arrumando pra sair de excursão até o Engenhão, enquanto tocava o Folklore no hall e eu só queria fazer check-in e tomar um banho depois de ter já acumulado 5 camadas de suor na minha jornada de 31 horas fora de casa.

Depois de algumas horas fazendo força pra não capotar na cama pleníssima do meu hotel na Barra da Tijuca, encontrei minha amiga com quem iria no show no dia seguinte, e estávamos combinando de ir jantar quando chegou a notícia do cancelamento do show do dia 18, às 17:44, mais ou menos meia hora antes da hora prevista pro início. Eu fiquei estarrecida. Tentamos conversar com nossas amigas que estavam lá e depois de algumas horas, a resposta delas: teve arrastão dentro do estádio, tudo foi caótico e assustador, extremamente frustrante. Eu honestamente não saberia dizer como eu ficaria se fosse eu lá.
Enquanto isso, começou a ventar e chover no Rio de Janeiro e até raio caiu dentro do Engenhão.

No dia 19, acordei completamente abatida capenga e nervosa com o que quer que me fosse acontecer. Choveu forte de manhã e passei o dia na função ir pro show, mas ao mesmo tempo paranóica com qualquer notícia de cancelamento do show - embora a chuva, que já estava prevista uns 10 dias antes, realmente abaixou o calorão. Pagamos mais uma pequena fortuna em Uber, almoçamos num lugar simpatiquinho, quando bati a porta do carro que levaria a gente pro Engenhão só conseguia pensar "meu Deus nada mais pode dar errado agora" e "meu Deus do céu IMAGINA SE DER ERRADO?" Highlights do trajeto: vi pela janela o castelinho da Fiocruz, reminiscência do meu passado profissional de saúde pública (:

Ao chegarmos lá:

  • Um amigo meu dizia que o Rio de Janeiro se divide entre o Rio e o De Janeiro. O Engenhão fica no De Janeiro e é uma parte da cidade habitada por pessoas normais, é um bairro meio classe-média-baixa-trabalhadora que literalmente a Globo não mostra;
  • Fiquei impressionada com a magnitude das coisas: o tamanho do estádio por fora, a quantidade de gente, a quantidade de gente vestindo a mesma roupa (a saia de paetê prata da Renner), e adereços brilhosos diversos que me fez batizar o rolê de carnaval das patricinhas;
  • Passei calor pela primeira vez no dia, e assisti a mão invisível da economia fazer seu trabalho quando fui fazer xixi na casa de uma pessoa completamente aleatória que, como várias, cobrava 3 reais pelo uso do sanitário;
  • Teve treta por pessoas furando fila;
  • Começou a chover, me obrigando a por capa de chuva;
  • Posso confirmar que é verdade que em dado momento da fila do show ninguém te revista direito. Nem olharam meus documentos;
  • Não consegui acreditar que era verdade que eu realmente tinha entrado lá e que aquele show ia acontecer. Eu fiquei esperando dar errado até o último momento;
  • O show é realmente um espetáculo visual de 3 horas, mas eu achei que ia me emocionar mais;
  • Teve todo o rolê lá de ela cantar Bigger Than The Whole Sky;
  • Encontramos swifties legais e queridos, mas os pais de swifties novinhos foram em geral grossos e insuportáveis (exceto as mães mineiras que eu encontrei no hotel);
  • Considero um milagre eu, uma caipira do interior do Paraná ter ido embora 1 da manhã de Engenho de Dentro sem ter sido assaltada;
  • Nunca mais espero ir num show de pista. Cadeiras, por favor.

Na segunda-feira catei minhas coisas e comecei minha peregrinação pra casa enquanto Taylor Swift se arrumava pra fazer o show do dia 18 que tinha sido remarcado pro dia 20, onde enfim a gata pegou tempo bom e um calor menos diabólico, mas perdeu o salto da bota no primeiro ato do show e continuou se apresentando na ponta do pé tal e qual a Barbie. Não tenho a menor ideia de onde ela se enfiou ou o que fez enquanto ficou no Brasil, como foi pra SP, onde comeu, onde se entreteu - só sei que por lá teve outro show debaixo de chuva. O que me informaram é que anteontem (27) ela já zarpou imediatamente do país, sem anunciar nada novo e deixando o brasileiro com a terrível surprise song Me!, pra ficar dois meses morando com a geladeira Electrolux dela numa mansão no Kansas.

Agora, minha opinião pessoal:

Como eu não sou fã dessa mulher, posso falar: Achei podre a atitude dela diante da morte da fã. É claro que não foi culpa dela, mas o distanciamento da história me marcou como algo horrível. Ela postou um único story no dia 17, depois do show, dizendo que a menina havia morrido antes do começo do show, o que é falso, e disse que não ia se pronunciar sobre o assunto no palco. Os comentaristas da internet disseram que isso pode ter sido por proteção legal. Eu, enquanto pessoa que tem algum envolvimento emocional com essa mulher pra ter ido até lá, achei podre. No show do dia 26, veio a notícia de que a família da fã compareceu ao show e se encontrou com ela, com fotinhas e tudo. Cada um lida com o luto de uma forma? Sim, mas o que é o luto da Taylor Swift perto do luto da família da menina? Por Deus, sei lá.
O cancelamento do show do dia 18 eu achei o maior dos absurdos. Segundo a outra nota que ela postou - que também foi um único story de texto - o cancelamento ocorreu por causa das "temperaturas extremas" no Rio. Amada, sua equipe não sabe olhar o Climatempo? TODO MUNDO sabia que tinha uma onda de calor no Rio, que tinha chance de chuva no dia 19, etc. Tudo bem, imprevistos acontecem, ela não pode decidir as coisas sozinha, mas cancelamento de última hora devido ao calor - quando todo mundo sabia que ia estar calor, quando os fãs passaram o dia torrando debaixo do sol quente na fila, quando já era 17:30 e o sol enfim estava baixando, quando faltava uma hora pro show e o povo já estava montado, empolgado, vivendo o que enfim planejaram pra viajar lá dos confins do Brasil pra isso, foi de um amadorismo absurdo. Se não queriam conduzir o show por conta do falecimento da Ana, teria sido muito mais digno explicar isso, mas de novo, isso implicaria o reconhecimento de algo que poderia trazer problemas jurídicos. Se foi isso, podre.
No show depois do ocorrido (o meu), ela tocou Bigger Than The Whole Sky como surprise song. É uma música bem tristinha que vi uma vez a interpretação de que era sobre aborto e achei que casou muito bem, mas não tem - e nem teve na apresentação - nada explícito de que ali se tratava de uma homenagem pra alguém que morreu. Nada, absolutamente nada foi dito, e eu também achei podre mandar uma possível mensagem cifrada no melhor estilo "quem é fã sabe" diante de um momento tão confuso e delicado pra tanta gente que estava olhando pra ela naquele momento. Mulher, cê não vê The Crown???? (Se você não vê The Crown, estou me referindo a uma cena que o Charles fala pra Rainha BE THE MOTHER OF THE NATION. Mostra que você tá vendo o que tá acontecendo ô caralho, ao invés de se esconder atrás da noção de privacidade, quando o que aconteceu foi um evento notoriamente público.)

Eu esperava me debulhar em lágrimas a partir da terceira ou quarta música do show (é o que costuma acontecer em casa) e isso não aconteceu. Talvez isso tenha a ver com o nervoso que eu passei, talvez com o fato de que tudo é perfeitamente ensaiado: as caras e bocas, as interações dela com a platéia, as pausas e silêncios, a pose beijando o muque antes de The Man, a pausa pra conversar com a plateia (e se emocionar) antes de Champagne Problems. Tudo bem, esse é o trabalho dela e nem todo dia de trabalho você está transbordando emoção, mas................ li no twitter uma pérola de sensatez que dizia que o trunfo da Taylor é ela ser extremamente relatable, simples, emotiva, que sofre por desilusões amorosas e se sente inadequada como você e eu. Então, se eu saí daqui da puta que pariu pra viver uma ~experiência com essa mulher, eu esperava um pouquinho de emoção genuína. Bem feito pra mim, que fiquei esperando amizade de uma estrela pop. Mas é realmente um show muito bonito e com certeza os fãs amaram, então quem sou eu na fila do pão pra dizer alguma coisa.

O rolê da relatability também ficou feio no Brasil: enquanto os artistas vêm aqui e tomam banho em praia interditada, vão pedir benção na missa, em escola de samba, em cervejaria, vão fazer compras no mercadão, tomar uma na praia, ver jogo da seleção e o escambau, TS não nos deu nem a alegria de uma notinha na mídia pra dizer que comeu um pão de queijo e amou. Ah, mas nenhum desses artistas aí que fez isso é grande igual ela, vão dizer. Ah, mas é perigoso, não sei o quê. Michael Jackson veio pra esse país GRAVAR CLIPE no meio da favela. Nosso povo brasileiro é um povo muito sofrido e simpático, o verdadeiro vira-lata caramelo e a gente certamente iria sair do nosso caminho pra dar carinho pra essa mulher, levar uma água, um cafezinho, um protetor solar, uma aguinha de coco, mas ela não deu nem abertura, postou nem a foto do Cristo Redentor metamorfoseado na retrospectiva protocolar que ela postou. Minha sensação? Ela detesta esse país e só veio aqui ganhar dinheiro.

Por fim: eu achei que o rolê das pulseirinhas ia ser ridículo, eu amei o rolê das pulseirinhas. Troquei com amiguinhos que fiz na rodoviária na ida e na volta, queridos que estavam tão perdidos e sozinhos quanto eu, e com as amigas virtuais que pude enfim desvirtualizar neste rolê - e isso foi muito gostoso, não me sentir sozinha, encontrar pessoas que compartilham das mesmas emoções, que fizeram pulseirinha das minhas músicas favoritas e ficaram feliz em trocar comigo ou até mesmo distribuir as que tinham feito. Fica aqui o registro das pulseiras que voltaram comigo, com menções honrosas pra "obsessive and crazy" que eu arrebentei sem querer, a maravilhosa "verão do carai" e o duo "in a storm" e "fearless" (fui eu que profetizei a chuva pra combinar com minhas pulseiras, desculpem)

tag yourselves, eu sou a 'in a storm' (inclusive, feita por mim mesma. Essa era introcável)

Depois dessa tour, vou aposentar minhas chuteiras de fã e curtir Taylor Swift só no sigilo, já que ela não me valoriza de volta. Devia ter ido ver o Maneskin que cantou Exagerado (!!!) e Vent'anni só porque a galera do twitter pediu.


Friday 10 November 2023

Dez momentos em que a Taylor Swift fez igual ao Led Zeppelin

Um post pra unir (ou desunir) todas as tribos, como foi o Norvana.

  • Quando ela lançou um debut self-titled

Era 1969 quando o Led Zeppelin (uma banda que na verdade antes era outra banda só que sem poder usar o nome da outra banda por motivos comerciais e literalmente decidiu se batizar de zepelim de chumbo) debutou nas prateleiras com um disco nomeado com o próprio nome, ilustrado com nada menos do que um zepelim pegando fogo (e com uma excelente faixa de abertura). Algo muito parecido com o que Taylor Swift faria em 2006, no seu cd de estreia que, por falta de fogo nas imagens, tinha uma faixa chamada Picture to Burn.

  • Quando ela lançou dois álbuns com menos de um ano de diferença 

Amamos um artista prolífico. Os álbuns I e II do Led tiveram dez meses de diferença, enquanto Taylor lançou o Evermore seis meses depois do lançamento do Folklore, em 2020.

  • Quando ela se isolou do mundo depois do cancelamento da mídia pra compor um negócio novo

Qualquer pessoa versada na internet nos anos de 2010 sabe que, depois de virar a melhor coisa do pop com o lançamento do 1989 em 2014, a Taylor Swift foi cancelada em 2016 pelo Kanye West por uma briga aí, ficou com a moral nas últimas, deletou tudo das redes sociais e depois lançou um novo cd no qual ela clamava que tinha matado sua antiga versão, pra depois anunciar que ninguém viu ela fisicamente durante um ano. Basicamente a origem do meme "fui massacrada vou desativar por alguns dias".
Mas vocês sabem quem teve essa ideia antes?????
Depois de virar a melhor coisa do rock em 1970, o Led Zeppelin lançou um terceiro álbum, do qual a crítica especializada falou mal, o que acabou com o moral da banda, fazendo eles recusarem ofertas de turnê, se enfiarem num casebre no meio do nada pra compôr e lançarem um novo cd sem nome nem identificação nenhuma - além da Taylor Swift do rock também ter ficado um ano e meio sem falar com jornalista.

  • Quando ela fez uma música falando dos fãs

Got no time to pack my bags, my foots outside the door / I got a date, I can't be late, for the high hopes hailla ball (The Ocean, 1973) / Long live all the mountains we moved / I had the time of my life fighting dragons with you (Long Live, 2010).

  • Quando ela lançou um filme da turnê 

O que dizer sobre filmes de turnê? O do Led foi gravado em 1973, tem reviews péssimas da crítica mas é adorado pelos fãs e fez eles ganharem dinheiro (e eu não tenho a menor vontade de ver). O da Taylor foi gravado em 2023, (são cinquenta anos de diferença mesmo? meio século? 100or) tem reviews boas da crítica, só vai ser aclamado pelos fãs que tem tempo e dinheiro pra dar quase 100 reais em ingresso de cinema, e com certeza vai dar mais dinheiro pra ela (e eu tenho ainda menos vontade de ver).

  • Quando ela começou a lançar capas sem nada escrito

Pessoalmente eu admiro muito o conceito "vou lançar esse negócio aqui sem nem precisar escrever que sou eu que estou lançando, e as pessoas vão comprar".  As capas em questão pertencem ao quarto disco, Houses of The Holy, Presence (que eu detesto de forma irracional) e In Through The Out Door. Do lado da Taylor, temos Folklore e Evermore, e as regravações de Fearless e Speak Now (e Red, tecnicamente)

  • Quando ela lançou um cd com variações de capa

Vocês achavam que essa putaria de lançar o mesmo cd com cinco capas diferentes pra fazer as pessoas comprarem mais começou com a ~loirinha??? Achou errado!!! O disco In Through The Out Door (1979) tem seis variações de capa possíveis e o disco vinha embrulhado em papel pardo sem nenhuma indicação de qual capa você ia pegar - recurso que a mulher usou quando empacotou cinco sets diferentes de fotos no 1989 original (2014), e reimaginado com as quatro versões diferentes do Midnights (2022) que formam um relógio se você comprar junto o suporte que ela vende.

  • Quando ela lançou um monte de inéditas que ficaram de fora de um cd

Quando o Led Zeppelin acabou eles precisavam lançar mais um disco, então compilaram várias faixas que tinham sido gravadas e ficado de fora dos álbuns anteriores, basicamente uma versão pocket de todos os lançamentos "From the Vault" que a Taylor Swift começou incluir nas regravações dos primeiros seis discos dela.

  • Quando ela mandou destruir coisa por pirataria

A compridona mais famosa do pop mandou os advogados entrarem em contato com certos comerciantes brasileiros que estavam fazendo merchandising próprio pra The Eras Tour e mandou acabar com tudo, com um pouco mais de classe mas o mesmo sangue nos zóio em prol do dinheiro que o empresário do Led que descia o sarrafo em quem fazia bootlegs dos shows

  • Quando ela fez composições baseadas na literatura
Rock 101 é saber que o Led Zeppelin tem três músicas que se inspiram em O Senhor dos Anéis: Misty Mountain Hop, The Battle of Evermore e Ramble On, dividindo os temas mais frequentes nas músicas deles em sexo, fantasia medieval, portas dos fundos e sonegação de imposto. Já no caso da Taylor, temos falar mal de ex, escrever romances em quatro minutos, transtorno mental e referenciar histórias clássicas, desde Romeu e Julieta, com Love Story, até Rebecca e O Grande Gatsby.
  •  Bônus: cachos loiros longos selvagens dignos de comercial de máscara de hidratação:

(todo post é uma desculpa pra botar foto do Robert Plant e falar bem do cabelo dele)

Obrigada aí pra quem ainda tem paciencia com meus surtos de fangirl!! :* :*